História

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Boelhe tem uma área de cerca de doze quilómetros e localiza-se no limite do concelho. o direito de apresentação da antiga abadia pertenceu aos monges regrantes de Santo Agostinho do Mosteiro de Vila Boa de Quires.

A freguesia é dominada pela Igreja de S. Gens, relíquia arquitectónica dos primeiros tempos da nacionalidade. Trata-se, sem dúvida, “apesar da sua obscuridade rural, de um dos mais característicos marcos – verdadeiros marcos de posse – com que os cristianizadores daquela época heróica assinalaram a sua marcha vitoriosa nos longos caminhos da terra hereditária reconquistada ao invasor sarraceno” – pode ler-se no “Boletim da Direcção-Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais” de 1950.

É, sem adições nos restauros, uma verdadeira jóia românica, talvez a mais completa do concelho de Penafiel, e, na verdade, das poucas que na fachada – do lado da Epístola – conservam o campanário primitivo, o que ainda mais a valoriza.

A sua construção (ou ao menos o pensamento inspirador da edificação) tem sido conjecturalmente atribuída, por alguns, a D. Mafalda de Sabóia, mulher de D. Afonso Henriques e primeira rainha de Portugal.

“Certo, não se tentou erguer ali, nessa terra ainda mal povoada, entre as águas benfazejas do rio Tâmega e as ásperas ladeiras do grande monte do Esporão, uma obra monumental, de proporções catedralícias – esclarece o já referido boletim; cuidou-se, todavia, de fazer alguma coisa mais que uma simples orada aldeã, isto é, um edifício nobre que nobremente acolhesse os viandantes desejosos de honrar a Deus, ou atraísse aqueles lugares, com a esperança de maiores bens, os colonos indispensáveis ao aproveitamento e valorização do solo.”

No exterior do templo, destacam-se o belo portal românico, com os seus preciosos capitéis, e um friso de modilhões finamente lavrados. (“Em alguns capitéis, a pedra como que floresce, formando estranhas corolas em que se lê, por vezes, o pensamento que as gerou”) Interiormente o edifício permanece intacto Pertence ao fim do século XII. Junto à entrada, do lado esquerdo, exteriormente, existe uma pia também românica.

Referindo-se à decoração arquitectónica da Igreja de Boelhe, o arqueólogo e professor Joaquim de Vasconcelos comenta: “… a fauna e a flora, é tudo quanto há de mais interessante, pela execução, pelo rigor do cinzel e pelo eloquente significado dos símbolos e das alegorias”.

Do adro da igreja, a nordeste, goza-se de belo ponto de vista sobre o rio Tâmega. Na margem oposta sobressaem a igreja de Vila Boa do Bispo, no concelho de Marco de Canaveses, e a igreja de Abragão.

 

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